Estive meditando esta semana sobre o fato de uma vez tendo sido iluminado os olhos do nosso entendimento e tendo sido descortinado o nosso olhar para que conseguíssemos contemplar a verdadeira luz que é Cristo Jesus, porque insistimos em certos momentos da nossa vida em nos associarmos com as obras das trevas em que não há nenhuma luz?
Temos medo de decidirmos e escolhermos de fato sermos verdadeiros filhos da luz. Cristãos conhecedores da sua identidade em Cristo Jesus, do ser de fato nova criatura e tendo este entendimento e ousadia ter a coragem de nos despojar do antigo homem e revestir-nos do novo homem, um homem entendedor do seu chamado, da sua missão e do propósito de Deus na sua vida.
Jesus nos adverte em Mateus 6:23 – “Se, porém, os teus olhos forem maus, todo o teu corpo estará em trevas. Portanto, se a luz que há em ti são trevas, quão grandes são essas trevas!”
Em quantos momentos das nossas vidas deixamos que essa luz se apague a tal ponto que ela não serve mais para iluminar coisa alguma, pelo contrário, o brilho está tão opaco que perdeu a sua propriedade, a de resplandecer, brilhar, iluminar. Pois se uma vez tendo conhecido a luz decidimos ser trevas, quão grandes são estas trevas.
Experimentamos do amor de Deus, desfrutamos da Sua presença em nós, somos sensíveis à voz do Seu Espírito Santo, tivemos um encontro com o Pai, encontro esse que fez nova todas as coisas em nós, mas tantas vezes resolvemos fazer coisas que desagradam o coração de Deus.
Decidimos não brilhar, não iluminar e não resplandecer essa luz que há em nós e com essa atitude perdemos o privilégio de vermos vidas sendo restauradas, casamentos sendo transformados, doentes sendo sarados, famílias sendo salvas, pecadores sendo perdoados, abatidos sendo levantados, pessoas sendo libertas, enfim, abrimos mão do privilégio de sermos usados por Deus como instrumentos de mudança, reconciliação, restauração, edificação…
Em quantos momentos perdi a oportunidade de ser benção na vida de tantas pessoas, quantas vezes achei que não era o momento certo de dizer aquilo que o Espírito Santo de Deus estava incomodando o meu coração para dizer, em tantos momentos deixei de dar bom testemunho por receio de ser mal interpretada em meio a pessoas que gritavam desesperadas pela revelação da luz que havia em mim e com isso permiti que a luz que existia em mim se tornasse em trevas não tendo capacidade alguma de iluminar.
Quantas vezes temos relativizado aquilo que é ABSOLUTO em nós: Cristo Jesus, a plenitude Daquele que enche tudo em todos. Senhor, eu quero viver seu absoluto na minha vida, não vou me contentar com nada aquém, nada menos, do que isso. Quero experimentar a sua vontade que é absoluta, os seus planos que são absolutos, o seu propósito que é simplesmente absoluto. Pra que uma vez vivenciando esse absoluto possa resplandecer como um astro neste mundo (Filipenses 2:14 ao 16).
A Bíblia nos revela que a ardente expectativa da criação aguarda a revelação dos filhos de Deus e que sabemos que toda a criação geme como se estivesse com dores de parto até agora (Romanos 8:19 e 22). Quem revelará para esta geração que tem sido ceifada, que cultiva valores tão distorcidos e que separada está do amor de Deus a verdadeira luz do mundo que é capaz de iluminar as trevas mais escuras e densas? Se não formos nós quem será?
Tenho tido este privilégio de participar do agir de Deus, de escolher sair da sala de espera, do meu comodismo e ser coadjuvante Naquilo que o Senhor deseja operar e não há lugar melhor do que esse. Muitas vezes ansiamos em ver a concretização das promessas de Deus em nós, mas não queremos participar da concretização destas promessas, não queremos ser usados como instrumentos poderosos nas mãos do Senhor para o cumprir dos planos e sonhos Dele nas nossas vidas, não desejamos ser usados como agentes transformadores das circunstâncias que nos cercam.
Muitas vezes clamamos pela salvação da nossa casa, mas dificilmente choramos diante do Senhor pela vida dos nossos irmãos, pais, avós, primos, tios que ainda não conhecem o amor de Deus. Não gastamos tempo para investir nestes relacionamentos, somos tantas vezes impacientes, tolos e insensatos e jogamos fora a grande oportunidade de revelar Cristo em nós, a verdadeira luz que resplandece em meio à escuridão.
Somos tantas vezes inconstantes naquilo que com tanta convicção dizemos ser a nossa fé, e eu me incluo nisso, que deixamos as pessoas ao nosso redor desnorteadas e totalmente sem rumo, porque ora decidimos ser filhos da luz e ora voltamos a praticar as obras das trevas. Que possamos de fato viver e praticar tudo aquilo que temos ouvido da parte de Deus para que não nos enganemos a nós mesmos (Tiago 1:22).
A grande realidade que vem ao meu coração é que precisamos ser corajosos o suficiente para decidirmos ser verdadeiros filhos da luz onde quer que estejamos, mesmo em meio a uma multidão de incrédulos, sabendo que um candelabro pode iluminar uma cidade inteira. Jesus nos disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:16).
A palavra de Deus nos ensina uma verdade que todas as coisas manifestadas pela luz tornam-se visíveis, pois é a luz que a tudo manifesta (Efésios 5:13). Que não sejamos insensatos a ponto de abdicar desta oportunidade de resplandecer a luz que há em nós, para que essa luz torne visível todas as coisas cumprindo o propósito pelo qual ela foi manifestada.
Que não nos enganemos achando que somos alguma coisa, que há alguma virtude em nós, mas é a presença do Senhor quem nos faz diferentes, é Ela que faz com que a luz de Cristo brilhe em nós e resplandeça através de nós, é essa presença que me faz ser a cada dia mais parecida com o meu Criador, é essa presença que me leva a servir pessoas, a amar e a me comprometer com aquilo que o Senhor mais ama: vidas!!
Que andemos como verdadeiros filhos da luz, descobrindo aquilo que é agradável ao Senhor e entendendo qual seja a vontade de Deus. É a nossa escolha em querer ser de fato nova criatura e andar como filhos da luz que vai mudar situações ao nosso redor. É a nossa postura frente a uma verdade de que Cristo habita em nós e que por isso temos que deixar que esse Cristo se expresse através de nós que vai determinar a realidade dos nossos relacionamentos, do nosso ambiente de trabalho, daquilo que esperamos, enfim, é essa postura que vai antecipar ou prolongar a concretização das promessas de Deus nas nossas vidas.
O próprio Deus nos adverte: Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno, e não és frio nem quente, vomitar-te-ei da minha boca. (Apocalipse 3:15). Que saiamos de cima do muro e enfrentemos de fato a realidade de que Cristo vivo está em nós e que por esse motivo temos o compromisso de deixá-lo viver através de nós para que pessoas possam ser vivificadas, restauradas, transformadas. Existe uma verdade nisso tudo: não há como desprezarmos a presença de Cristo em nós e não há como rejeitarmos o seu chamado para as nossas vidas.
Tenho uma amiga que sempre me lembra de uma verdade de que pessoas são mais importantes do que processos. Quantas vezes a nossa carne grita: retenha, não compartilhe, não ilumine. Mas o nosso espírito clama: reparta, conceba, resplandeça a glória de Deus sobre a sua vida. Que possamos ser totalmente guiados pelo Espírito Santo de Deus, pois é Ele quem nos direciona a toda boa obra.
Cristo por nós, em nós, conosco, através de nós, esperança da glória. Que sejamos não aquilo que gostaríamos de ser, mas que sejamos, em tudo, segundo Cristo. Senhor nos dê um entendimento renovado, uma mentalidade transformada, coloca nos nossos corações a motivação correta para que alcancemos aquilo pelo qual fomos chamados, para que cheguemos Contigo até aquele lugar em que o Senhor anseia nos levar: o lugar da restauração… Esse lugar em que somos curados para curar, libertos para libertar. Esse lugar onde experimentamos da sua plenitude, onde escutamos o seu coração, onde somos corajosos o suficiente para sermos tudo aquilo que o Senhor deseja que sejamos: luz e astros deste mundo.
Se soubéssemos o que acontece quando decidimos verdadeiramente ser filhos da luz, ahhh não pensaríamos duas vezes antes de sê-los.
Texto enviado pela nossa amiga Júlia Carneiro